Comissão cobra apuração de roubo de imagens em Matias Cardoso PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Lucas   
22 de agosto de 2008
MATIAS CARDOSO -- O roubo de três peças sacras do século 18 da Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Matias Cardoso, na microrregião da Serra Geral de Minas, levou os deputados da Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa de Minas Gerais ao município nesta última quinta-feira, dia 21, para a realização de uma audiência pública com autoridades e a população local. Na reunião, realizada a pedido do deputado Paulo Guedes (PT), os deputados cobraram agilidade na resolução do caso e debateram o processo de restauração da igreja. Segundo o autor do requerimento da audiência, as imagens, de Santa Maria, da Senhora de Santana e de São Miguel, são cadastradas no Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e têm valor incalculável. “Recuperar essas imagens significa resgatar nosso patrimônio histórico e vai marcar um momento importante da história do Estado, que começou em Matias Cardoso”, disse o deputado Paulo Guedes.
Em seu discurso, o parlamentar contou um pouco da história da cidade e da região, e cobrou das autoridades estaduais o reconhecimento do município como a primeira capital do Estado, assim como mais recursos financeiros para a restauração da Igreja Nossa Senhora da Conceição. “Mariana é reconhecida como a capital das Minas, mas aqui é a capital das Gerais e isso deve ser oficializado pelo governo”, salientou. Segundo o deputado, o secretário de Estado da Cultura, Paulo Roberto Rocha Brant, mostrou-se sensível à questão e solicitou que o relatório da reunião seja enviado à Secretaria para que as devidas providências sejam tomadas.
RESTAURAÇÃO -- O prefeito de Matias Cardoso, João Cordoval Barros, afirmou que a restauração da igreja foi calculada em R$ 645 mil, mas apenas R$ 245 mil foram autorizados pelo Estado. Para ele, será necessário captar recursos na iniciativa privada, por meio da Lei Rouanet, para que a obra seja realizada. “Nosso município tem um valor histórico inestimável e isso precisa ser reconhecido. A restauração da igreja é o primeiro passo para que isso seja oficializado, mas infelizmente dependemos de apoio privado para que isso seja concretizado”, disse.
Ele solicitou ainda o auxílio da comissão para que a Secretaria de Estado de Defesa Social ofereça mais segurança à cidade. “São apenas dois policiais para uma população de quase 10 mil habitantes”, denunciou.
O pároco de Matias Cardoso, Adaílton Oliveira, também pediu mais apoio do Estado na proteção do acervo cultural da cidade. Segundo ele, é preciso que município seja reconhecido, assim como Ouro Preto e Mariana. “O Norte de Minas precisa ir para os livros de História. Temos o direito de ter nossa memória resgatada e fazer justiça à nossa região, que é berço da ocupação do Estado”, disse.
INVESTIGAÇÃO -- De acordo com o delegado de Matias Cardoso, Leonardo da Silva, as investigações preliminares sobre o episódio do roubo das três imagens sacras foram feitas pela Polícia Civil, mas por se tratar de um patrimônio tombado por um órgão da União, o inquérito deverá ser conduzido pela Polícia Federal. “Estamos acompanhando o caso, e assim que as investigações avançarem, a população será informada”, prometeu.
REQUERIMENTOS -- O deputado Paulo Guedes apresentou dois requerimentos que serão votados na próxima reunião da comissão. O primeiro é para o envio de ofício à Secretaria de Estado de Defesa Social, solicitando providências que agilizem o resgate das imagens sacras roubadas da Igreja Nossa Senhora da Conceição, assim como o aumento do efetivo policial no município. O segundo é para o envio de ofício à Secretaria de Estado de Cultura, solicitando obtenção urgente de recursos para a restauração da igreja.
PRESENÇAS -- Deputada Gláucia Brandão (PPS), presidente; e deputado Paulo Guedes (PT). Também participaram da reunião o presidente da Câmara Municipal, Arnaldo Martins da Silva; o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e de Montes Claros, Wanderlino Arruda; o prefeito de Catuti, José Barbosa Filho (Zinga), também presidente da Amams; e o presidente da Academia de Letras, Ciências e Arte do Norte de Minas, Petrônio Braz.
 
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