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AS RAZÕES DOS PROTESTOS -- Hermínio Prates PDF Imprimir E-mail
Escrito por Hermínio Prates   
11 de agosto de 2013

Por Hermínio Prates

É impressão minha ou há uma desorientação geral entre os que se arvoram em donos dos destinos? Os idos de junho e julho deixaram os graúdos com pulgas e carrapatos nas cuecas e calçolas. Quem esperava uma avalanche humana daquelas? Manipulação houve e até demais; facilidades pelas redes sociais idem, mas, mesmo assim, quem esperava tanto rebuliço? Eu não e nem você. Só mesmo os profetas do acontecido, esses que sabem tudo e muito mais do que já é público e notório. Encontrei em texto do jornalista Sylvio Abreu, conterrâneo do patrão Fernando Lucas, beliscão em quem se arvora em adivinho do imaginário. “Há os profetas do acontecido, mas nunca do acontecendo ou por acontecer.” Assim é e será, diria um intérprete bíblico.

Ouvi e li sapientes análises que ora empurraram meu entendimento para um lado, depois para o extremo oposto. Disseram uns: a bronca é contra o PT, que governa o país desde 2003 e nada fez pelo povo, além de praticar a demagogia. Outros, da banda esquerda do viés político arrolaram argumentos para afiançar que o cerne da insatisfação nasceu em ninho tucano.

É impressionante o imediatismo desses espertalhões. Então as mazelas sociais têm data marcada no nascedouro? São de 2003, desde o primeiro dia do governo petista? São de 1994, quando os tucanos meteram o bico nas verbas públicas? Quem sabe não seria melhor garimpar explicações no desgoverno de José Sarney? Ou nas pantomimas ditas patrióticas do hoje descolorido Collor? Oh, não, ela é mais antiga, veio dos quartéis, vicejou na ditadura. Mas que explicação sacana é essa? Não foram os milicos que assaltaram o poder para combater a subversão e a corrupção? Com a primeira eles arrasaram sim, posso testemunhar ao lado dos que não se acovardaram ou se iludiram com o “milagre” brasileiro. Com a subversão dos “infiltrados de Moscou” e dos “guerrilheiros de Fidel” os gorilas da repressão acabaram sim. E a corrupção? Vicejou como erva daninha em jardim mal cuidado. Roubaram que roubaram, mas só se soube muito depois, quando a censura deixou de existir.

Se as razões da rebeldia surgiram no abortado governo de João Goulart? De jeito nenhum, muito menos na circense gestão de Jânio Quadros. Aquilo nem era presidente, foi apenas um mamulengo movido a álcool e sonhos ditatoriais na secura do planalto. Deu no que deu o autor do dito “fi-lo porque qui-lo”. Aliás, dizem as boas e más línguas que o pretensioso dicionarista usou a “obra” para justificar o aporte – não é de “aporte” que os economistas de aluguel designam o inexplicável aparecimento de dinheiro sujo em contas lavadas na Suíça e em outros paraísos fiscais? – de uma fortuna em dólares em contas secretas do bebum. Tal dinheiro - pouco mais de 50 milhões de dólares, que é uma mixaria no atual mercado da corrupção -, deu origem a violenta disputa entre os herdeiros do safardana.

Absolvo Jânio Quadros sim, ele foi um nada na montanha de desacertos. Então a conta deve ser debitada ao risonho Juscelino Kubitschek, aquele que inventou Brasília, mesmo jogando pelo ralo da gastança um oceano de dinheiro que o país não tinha? E a justificativa para a construção do atual paraíso da irresponsabilidade é folclórica, se não fosse uma estupidez: na empolgação de um comício ele prometeu construir uma capital no coração do Brasil, assim como rezava a Constituição então em vigor. Prometeu e cumpriu, mas sabem por quê? É que em outro comício ele “viu” o fantasma de um frade e para não decepcionar os miasmas da assombração decidiu tocar a obra. Influência de um morto sim, mas nenhuma dos vivos empreiteiros. Pelo menos é assim que está escrito na biografia oficial do político risonho e garanhão.

Ah, Getúlio Vargas, você deu um tiro no peito para não ser apeado do poder. E do gesto extremado riram as hienas do carrancismo, aquelas sempre aliadas à espoliação internacional. Eurico Dutra quem foi? Um nada, apenas um fantoche desconjuntado. E o Getúlio Vargas ditador, que deu as cartas de 1930 até 1945? Ah, esse foi o bicho, um fauno sangrento vindo dos pampas e que manteve sob rédeas curtas os mandriões da corte. Jornalistas não encabrestados viram de perto a desgraceira, denunciaram as barbaridades e dividiram as agruras do cárcere com o escritor Graciliano Ramos e o também jornalista Vanderlino Nunes, esse último meu saudoso tio. Se você duvida, leia Memórias do Cárcere, onde Graciliano conta um pouco do muito que agoniou nas masmorras da intolerância.

Então – diria alguém para livrar os ombros de carga tão pesada – a culpa só pode ser dos primeiros republicanos, que se extasiaram com o poder repentino e se afundaram em bacanal de gastança. Ou a conta deve ser remetida à monarquia, ao bonachão segundo Pedro, ao peralvilho primeiro Pedro, à mãe de ambos, a devassa Carlota Joaquina? E ao Dom João comedor de galinhas - mas só aquelas de pena -, não caberia culpa maior?

Que sei eu sobre a origem dos protestos? Se formos puxar o cordão da história até o início do novelo, os culpados serão os falidos nobres portugueses que nos assaltaram desde antes da fuga da família real para o Brasil. Ou – por que não? – aquela bandidagem que veio nas primeiras caravelas, um monturo de gente que só queria escapar das correntes, estuprar as índias e catar pedras preciosas. Esse lixo social adubou o nascer de famílias quatrocentonas, todas prenhes com os ares da petulância, porém vazios de valores morais. Não estariam aí as razões de tantos e tão compreensíveis protestos? Não sei, como sempre pouco alvitro sobre as verdades, notadamente as históricas. Necessito, urgentemente, de orientação de quem domina o tema. Boa fonte é o professor Zuzu – que garante ler e colecionar as bestagens que escrevo – mas ele anda sumido, nem sequer passa na porta do “bar da imprensa” nas manhãs de todo sábado. Outra opção é o Aurédson Araújo, professor de História e filho do ex-parceirinho de futebol João Milton (o sempre lembrado João Preto). Sei não, posso estar enganado, mas acho que a também leitora e jurista Lucidalva Fernandes é dona de saberes históricos e poderia jogar luzes na minha ignorância. Ou sequer serei merecedor de ensinamentos?

 
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