Meio ambiente não é mais só para ambientalistas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Aroldo Cangussu   
06 de setembro de 2014
A agenda ambiental brasileira está quase sobrepujando as demais questões econômicas e sociais do país. Não é mais preocupação apenas dos ambientalistas. Em todos os setores da atividade humana a preservação da natureza está cada vez mais sendo exigida, fortemente fiscalizada e intensamente cobrada. Não há nicho dentro do setor produtivo em que o licenciamento ambiental não seja obrigatório. Bancos não liberam financiamentos e empréstimos sem as licenças e outorgas devidas.
 
Há alguns dias atrás, um grupo de fortes empresários brasileiros, chegando a representar 40% do PIB, representando o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS, lançou uma carta aberta aos candidatos à Presidência na próxima eleição na qual pedem que eles se atentem a um pacote de 22 propostas. A carta fala, principalmente, em romper a crise sistêmica que reproduz a desigualdade, esgarça o tecido social, alimenta os incentivos perversos e coloca a economia em conflito com os recursos naturais.
 
Esse assunto mereceu até um editorial do jornal Folha de São Paulo elogiando a iniciativa. Duas questões da pauta me chamaram a atenção: a solicitação para diminuição das barreiras ao licenciamento ambiental e o pagamento por serviços ambientais, tipo o programa “Bolsa Verde” que existe em Minas Gerais o qual remunera os proprietários rurais que preservem recursos naturais, tais como nascentes e matas ciliares.
 
Portanto, a preocupação com a preservação ambiental não está apenas na agenda dos ambientalistas, está também integrada no dia a dia empresarial que, finalmente, percebeu que a manutenção da natureza está intimamente ligada aos rumos do negócio. Dá para perceber facilmente isso nas empresas que promovem ações de reuso de água, economia de eletricidade, filtros de limpeza de emissões atmosféricas, otimização da produção e reaproveitamento e reciclagem de materiais.
 
A agenda política dos candidatos também se enriqueceu com essa nova abordagem já que agora eles terão que se preocupar com o debate que tem a aprovação de uma elite econômica de peso no país.
 
Agora ainda mais pelo fato da Marina Silva estar liderando as pesquisas eleitorais, o fator “meio ambiente” se fortaleceu bastante. Não que um presidente da República tenha apenas essa preocupação, mas esse assunto permeia todos os demais.
 
De qualquer maneira, quero externar algumas coisas que me incomodam na Marina: será que uma pessoa que acredita que o mundo foi criado em sete dias e apenas há dez mil anos pode ter crédito para dirigir o Brasil? São considerações que chegam ao ridículo perante a comunidade acadêmica e aos observadores internacionais. Uma pessoa que toma decisões difíceis baseada em espiadelas esporádicas na Bíblia terá muitas dificuldades na condução de um processo político moderno que o Brasil tanto precisa.
E
spero que o Brasil não vá repetir as dolorosas experiências de Jânio Quadros e Fernando Collor.

 
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