Viajando de trem PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
15 de novembro de 2014
Passei uma semana na praia, em Vila Velha, no Espírito Santo. Na ida, fui de avião. Voltei de...trem. Só existem dois trens de passageiros no Brasil, ambos da Vale, o Vitória-Minas e o Carajás-São Luís do Maranhão. Porém, diário, somente o que faz o percurso entre Belo Horizonte e a Grande Vitória. 
Comprei a passagem com uma semana de antecedência, mas pode-se comprar com até sessenta dias antes. Existem duas categorias de vagões, o executivo – mais luxuoso – e o mais popular. A Vale está com um trem estalando de novo. Foram importados novíssimos vagões da Romênia. Fui de executivo. O vagão possui duas fileiras de poltronas: as da esquerda são duplas e as da direita são individuais. Foi nessa que embarquei. 
 
O trem passa por 51 localidades entre o Espírito Santo e a capital mineira. As paradas nas estações são rapidíssimas – entre um minuto (a maioria) e oito (em Governador Valadares). Quando cheguei à estação, às seis horas da manhã (o trem parte às sete) fiquei um pouco assustado pois ela se encontrava lotada. Fiquei tranquilo porém, por que as passagens são com lugares marcados. Preparei-me para a viagem munido de muita paciência e com dois bons livros (a viagem dura treze horas!). 
 
É um luxo só. Os vagões lembram o interior de um grande avião – só que com mais espaço. As portas são automáticas, o espaço entre os vagões é hermético, tem ar condicionado (as janelas não abrem), as poltronas são reclináveis, uma mesinha se abre à sua frente e um serviço de bordo constante deixa o passageiro à vontade para escolher petiscos. Existe um ótimo vagão-restaurante (com um cardápio relativamente diverso) e um vagão-lanchonete onde se pode sentar ao balcão e pedir o que quiser. Detalhe: não existem bebidas alcoólicas a bordo, nem mesmo uma cervejinha.
 
Mas, ninguém me impediu de levar minha bebida, apesar de não ter sido visto bebendo.
Para minha surpresa, não senti a demora da viagem. Fui lendo o tempo todo e apreciando a paisagem que é verdadeiramente deslumbrante. O percurso acompanha o Rio Doce e o trem vai serpenteando ao seu lado quase em toda a viagem. Existe uma estação, chamada Comendador Drummond, em que existe um ramal para Itabira. Nesse trem não tem aquele barulhinho “tchec-tcheck-tchec” tão característico naqueles em que viajávamos antigamente. Isso é porque os trilhos são soldados entre si formando um componente só. A composição desliza suavemente, pode-se deixar o copo cheio na mesinha da frente ou no restaurante que não há nenhum balanço, não derrama.
 
O trem vem lotado, mas os passageiros – na sua maioria – vão descendo e subindo nas estações intermediárias. Raros são os que fazem a viagem completa como eu. Acredito que no meu vagão apenas eu saí de Vitória e cheguei à estação central de Belo Horizonte.
É uma viagem deslumbrante e recomendo veementemente. (nas próximas colunas darei outros detalhes dessa bonita viagem).

 
< Anterior   Próximo >