Prefeitura endividada fecha as portas em Riacho dos Machados PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Lucas   
28 de janeiro de 2008
RIACHO DOS MACHADOS -- A prefeitura de Riacho dos Machados, fechou as portas para atendimento ao público, nessa quarta-feira, dia 23. A distribuição de medicamentos ficou comprometida. Os funcionários estão com salários atrasados. A prefeita Domingas da Silva Paz reuniu os funcionários e anunciou a decisão de fechar a prefeitura.

"Aqui dentro vai ficar a parte administrativa, da contabilidade. O pessoal vai continuar fazendo o trabalho interno, mas infelizmente, nós só vamos manter mesmo o trabalho essencial, que não pode ser parado", falou a prefeita Domingas Paz. Segundo a tesouraria do município, a prefeitura deve R$ 300 mil para a Copasa, R$ 2 milhões para fornecedores, R$ 5 milhões para o INSS e a dívida trabalhista chega a R$ 1,7 milhão. De acordo com a prefeita, houve bloqueio judicial de aproximadamente R$ 160 mil do Fundo de Participação dos Municípios para pagamento de dívidas trabalhistas. Com isso, ficou comprometido o pagamento do salário dos servidores do mês de dezembro e o 13º. O último valor bloqueado foi de R$ 66 mil. Segundo a prefeita, são problemas herdados de administrações anteriores.

"A Justiça tem que existir sim, mas eu acho que quem teria que pagar é quem realmente cometeu os erros. Nós estamos penalizando o povo, comprometendo o trabalho da saúde, da educação, porque vai comprometer tudo", falou a prefeita de Riacho dos Machados.

"Eu trabalho aqui na prefeitura há 20 anos e nesse tempo eu nunca vi uma situação como esta", comentou o tesoureiro Elson Martins. Os funcionários fizeram um protesto em frente a prefeitura. "São pais de família, todo mundo precisa", falou um morador. Por causa do problema, faltam pelo menos 20 medicamentos da farmácia básica do Sistema Único de Saúde (SUS), já que o município teria que pagar uma parte para receber os remédios.

"Para atender os programas, faltam praticamente todos para o tratamento de diabetes, hipertensão. O pré-natal fica também muito prejudicado pela carência desses medicamentos. É uma situação gravíssima", falou o médico Henrique Chaves. O advogado da prefeitura disse que vai tentar um acordo com os ex-funcionários que entraram na Justiça. "Nós estamos entrando em contato com os procuradores dos servidores que entraram com essas ações, tanto na Justiça do trabalho como na Justiça comum, para ver se conseguimos fazer acordos, de forma que o município possa pagar de modo parcelado esses valores", explicou o advogado Fabiano Viana.

 
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