Pai Pedro pede socorro para flagelados
Escrito por Fernando Lucas   
10 de setembro de 2007
PAI PEDRO -- A burocracia está deixando milhares de flagelados da seca sem água para consumo em Pai Pedro, considerado o município mais pobre do Norte de Minas. A denúncia é do prefeito José Geraldo Rodrigues, que decretou situação de emergência em abril, sob alegação de que os moradores de 31 comunidades rurais não tinham abastecimento. Segundo ele, o decreto foi republicado em junho e homologado pelo governador Aécio Neves no dia 10 de julho, mas nenhuma medida foi adotada até agora.
A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) informou que está distribuindo cem cestas básicas por mês para cada município e teria liberado recursos para a Copasa alugar caminhões-pipa. O Norte de Minas tem 60 municípios com decreto de emergência por causa da seca, 15 deles homologados pelo Estado e cinco pelo Governo federal.

No relatório sobre os danos causados pela estiagem, José Geraldo Rodrigues afirma que, inicialmente, 31 comunidades rurais tinham sido afetadas, mas agora o abastecimento de água está comprometido em todo o município. Ainda de acordo com o documento, os poços perfurados estão com água salobra, inadequada para consumo humano, e houve grande perda nas lavouras de sorgo, milho e feijão e queda na produção de leite e ovos.

Além disso, já teria começado o êxodo de flagelados para trabalhar como bóias-frias em canaviais de São Paulo e do Sul de Minas e também na colheita de café. "Não chove em Pai Pedro há seis meses. É uma das piores secas dos últimos anos", alega o prefeito.

Segundo José Geraldo, o município gasta R$ 11 mil por mês, desde maio, com aluguel de caminhões-pipa para socorrer os flagelados. "Para um município que tem poucos recursos financeiros, é difícil manter esse serviço com verba própria, mas não podemos deixar as pessoas com sede. A situação está insustentável, já que, até o momento, Pai Pedro não recebeu nenhum recurso dos governos estadual e federal. Estou cansado de esperar", alega. O prefeito afirma que a Cedec o autorizou a procurar a Copasa em Janaúba para receber o caminhão-pipa, mas, quando foi à empresa, foi informado de que os recursos não tinham sido liberados.

O assessor de Comunicação da Cedec, capitão Edilan Araújo, garante que todos os procedimentos foram adotados para assegurar o abastecimento de água aos flagelados, e a Copasa já teria contratado caminhões-pipa. "Mas tem de ser cumprida a formalidade, como decretar emergência e anexar a avaliação de danos. Depois de homologada a situação de emergência, mandamos ofício para a Copasa liberar o equipamento. No ano passado, ajudamos Pai Pedro com dez cisternas plásticas de 8 mil litros cada. A prestação de contas atrasou. Agora que o decreto foi homologado pelo Governo federal, esperamos ajuda da Operação Pipa", alega o assessor. (Hoje em Dia)